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África deve reforçar investimentos no sector das águas

O continente africano precisa reforçar os investimentos e construir novas infra-estruturas no domínio das águas para impulsionar o desenvolvimento económico, defendeu hoje em Addis Abeba - Etiópia, a comissária da União Africana para o Departamento da Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável (DRABE), Josefa Correia Sacko.

Josefa Sacko, que falava na conferência sobre “Os desafios da Escassez de Água no Continente Africano”, referiu que mais água iria impulsionar o aumento da produtividade da maioria dos sectores que dependem deste líquido.

Também chamou a atenção à necessidade de fortalecer os projectos de águas transfronteiriças e estabelecer acordos de cooperação eficazes para as bacias hidrográficas e cursos de água partilhados.

Frisou, durante o evento por vídeo-conferência, organizado pela “Police Center For The New South”, que a situação de escassez de água em África é agravada, por outro lado, pelo facto de que esta área não é priorizada na maioria dos países.

Na sua explanação aos participantes na conferência virtual, a diplomata angolana realçou que a água é um insumo crítico para a maioria dos sectores, incluindo agricultura, energia, turismo, saúde e até mesmo transporte, embora reconheça que exista recursos hídricos abundantes em alguns dos países, incluindo o segundo maior lago de água doce do mundo (Lago Vitória), e o segundo lago mais profundo do mundo (Lago Tanganica), o continente é em grande parte sedento.

“Os efeitos negativos das mudanças climáticas, resultado do considerável aumento das temperaturas, a extensa parte do norte e do sul da África regiões áridas caracterizadas por desertos, a variabilidade e frequência do clima, bem como as secas intensas, são factores que agravam a escassez de água”, referiu a comissária do DRABE da UA.

Fez saber, também, que a água subterrânea representa apenas 15 por cento do total de recursos hídricos renováveis de África e, ainda assim, cerca de 75 por cento da sua população depende do uso doméstico da água subterrânea.

Desta feita, assegurou que muitos países de África já estão a viver por stress hídrico, levando à escassez de água, por conseguinte, os efeitos sobre as trajectórias de desenvolvimento dos países e, como consequência, eles não podem nem mesmo atrair fábricas com uso intenso de água ou embarcar em projectos de irrigação em grande escala.

Ainda sobre a  escassez de água, disse que este factor tem prejudicado os esforços do continente para adaptação às mudanças climáticas, especialmente para os pequenos agricultores.

“Temos comunidades que têm dificuldade até para lavar as mãos regularmente para controlar o coronavírus devido à escassez de água. A demanda por água também está aumentando e a situação é agravada pela multiplicidade do seu uso“, sustentou a sua posição.

Estudos do Banco Mundial, de 2017, indicam que, globalmente, 70% da água doce é usada para a agricultura.

Sublinha ainda que, até 2050, alimentar um planeta de nove biliões de pessoas exigirá um aumento estimado de 50% na produção agrícola e um aumento de 15% na retirada de água.

Os líderes africanos reafirmaram no compromisso de “Sharm El-Sheikh” sobre Água e Saneamento, de Julho de 2008, para promover a cooperação e integração entre os Estados Membros com vista a elevar o nível de vida da população e o bem-estar das gerações futuras.

Há também a Visão da Água para a África 2025: “Uma África onde haja um uso e gestão equitativos e sustentáveis dos recursos hídricos para o alívio da pobreza, o desenvolvimento socio-económico, a cooperação regional e o meio ambiente”.

A Comissão da UA coordenou o Projecto de Monitorização do Ambiente e Segurança em África (MESA) que facilitou as Comunidades Económicas Regionais (CER) e os Estados Membros na tomada de decisões em políticas de informação climática, dados e disponibilidade de água através da utilização de Observação da Terra por satélite meteorológico. O Projecto MESA também teve um componente de treinamento e formou mais de mil especialistas.

A concluir, reiterou o compromisso da Comissão da União Africana de trabalhar com todas as partes interessadas, incluindo os parceiros, no avanço da Agenda Africana de água e saneamento para a realização dos objectivos do desenvolvimento sustentável de 2030, na realização da Agenda 2063:  “A África que Queremos”.

Texto: Angop

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