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António Pacavira – Suspensos contratos de trabalho a 120 mil trabalhadores do ensino privado

Entre os dispensados estão mais de 20.000 professores. Os números são confirmados por António Pacavira, presidente da ANEP - Associação Nacional do Ensino Privado, que diz que enquanto as aulas não arrancarem os colégios mantêm a cobrança de 60% da propina. Mas os encarregados não estão a pagar.

António Pacavira, presidente da ANEP confirmou ao Expansão que os trabalhadores com contratos de trabalho suspensos pelos seus associados devem chegar aos 120 mil até ao final de Julho. “As empresas ainda aguentaram até Junho, sendo que em Abril e Maio ainda foram negociados cortes de salários, alguns até 50%, mas depois tornou-se insustentável para muitos”, explica, acrescentando: “Estamos a falar de trabalhadores das mais diversas áreas, pessoal administrativo, auxiliares, jardineiros, motoristas, mas também professores. Estimamos que mais de 20.000 professores terão os seus contratos suspensos”. Convém acrescentar que este facto conforma um “drama social”, tendo em conta que estes deixam de receber os seus salários e não têm qualquer apoio da Segurança Social, ficando à espera de receber a informação para voltarem ao serviço.

De acordo com um documento que a associação enviou ao Ministério da Educação, a percentagem média de recebimentos dos colégios associados, 2.500 espalhados por todo o País, foi de apenas 7% relativamente ao que era expectável sem a suspensão das aulas. No global, os colégios esperavam receber em Abril, Maio e Junho cerca de 126,6 mil milhões Kz, mas receberam apenas 1,8 mil milhões. Na análise financeira da situação dos associados é tomada em linha de conta que também houve uma redução drástica dos custos, uma vez que não estiveram a funcionar, mas ainda assim previa-se um lucro de 88,3 mil milhões Kz para este trimestre, e na verdade tiveram um prejuízo de quase 41 mil milhões. É com base nestes números que se explica o número elevado de suspensões de contratos de trabalho.

Texto: Expansão

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