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Exposição colectiva Taximetria do Futuro na Siexpo

A exposição colectiva Taximetria do Futuro será inaugurada na quinta-feira (5) na SIEXPO- Museu Nacional de História Natural e junta cinco artistas angolanos e da sua diáspora, nomeadamente Grada Kilomba, Kiluanji Kia Henda, Mónica Miranda, Januário Jano, Aida Rodrigues, Keyezua, Teresa Firmino e Helena Uambembe.

Comissariada pelos curadores Paula Nascimento e Bruno Leitão, a exposição retoma o conceito explorado na 6ª Edição da Bienal de Lubumbashi, juntando trabalhos de artistas angolanos e da sua diáspora cujas práticas investigam o Passado e suas diferentes temporalidades, para reflectir sobre o Futuro. As obras apresentadas têm em comum o dissecar dos fantasmas presentes tanto nas sociedades europeias como nas africanas desde os mitos greco-latinos ao período colonial. O projecto pretende juntar alguns dos artistas activos em Luanda, assim como os que mantêm uma relação de proximidade com a cidade. A exposição tem como base a troca de influências entre os dois curadores e os artistas que os guiam numa parte importante das suas pesquisas curatoriais, convertendo-se numa celebração a partir de e com o meio artístico Luandense. 

Taxidermia do Futuro reúne obras da colecção privada FOR ARTS SAKE, que tem como principal objectivo apoiar o percurso de artistas, numa colecção criada a partir do dialogo entre obras de artistas mais experientes e novas perspectivas no contexto do continente africano. A colecção tem por missão expandir e promover o conhecimento de artistas africanos e da disporá.   

Grada Kilomba artista interdisciplinar nasceu em Lisboa, em 1968, com raízes em São Tomé e Príncipe, Angola e Portugal. Actualmente vivendo e trabalhando em Berlim, sua obra tem sido apresentada nas principais exposições e instituições pelo mundo, incluindo a 32ª Bienal de São Paulo; Documenta 14, em Kassel; 10ª Bienal de Berlim; The Power Plant, em Toronto; Kadist Art Foundation, em Paris; Museu Bozar, em Bruxelas; MAAT, em Lisboa; Wits Theatre, em Joanesburgo, entre outros. Também é autora do livro Plantation Memories (2008) e co-editora de Mythen, Subjekte, Masken (2005), uma antologia interdisciplinar de estudos críticos da branquitude. Doutora em Filosofia pela Freie Universität Berlin, 2008, desde 2004 tem leccionado em várias universidades internacionais, como a Humboldt Universität Berlin, onde foi Professora Associada no Departamento de Gênero. Desde 2015, vem colaborando com o Maxim Gorki Theatre, em Berlim. Conhecida por sua escrita subversiva e pelo uso não convencional de práticas artísticas, Kilomba cria intencionalmente um espaço híbrido entre as linguagens académica e artística, dando corpo, voz e imagem a seus próprios textos por meio de leitura cénica, performance, instalação e vídeo. Fortemente influenciada pelo trabalho de Frantz Fanon (19251961), psiquiatra e filósofo francês da Martinica, começou a escrever e publicar sobre memória, trauma, psicanálise, feminismo negro e colonialismo, estendendo sua pesquisa à performance, encenação, coreografia e visualização das narrativas pós-coloniais. “Quem fala? Quem pode falar? Falar sobre o quê? E o que acontece quando falamos?” são questões permanentes em seus trabalhos, nos quais a artista cria imagens singulares para desmontar os conceitos de conhecimento, poder e violência.  

Kiluanji Kia Henda nascido em Angola em 1979, onde vive e trabalha. O interesse de Kia Henda pelas artes visuais surge por ter crescido num meio de entusiastas da fotografia. A ligação com a música e o teatro de vanguarda, fizeram parte da sua formação conceptual, tal como a colaboração com colectivos de artistas em Luanda. Na sua prática, usa frequentemente a arte como método para transmitir e forjar a história. Mais do que reunir as peças de um enigma complexo de diferentes episódios históricos, Kia Henda explora a fotografia, o vídeo, a performance, a instalação e a escultura para materializar narrativas fictícias e deslocar os fatos para diferentes temporalidades e contextos. Usando humor e ironia, convoca questões como identidade, política, percepções de pós-colonial e modernismo no Continente Africano. Trabalhando frequentemente numa desviada cumplicidade com o legado histórico, Kia Henda vê no processo de apropriação e manipulação dos espaços e estruturas públicas e nas diferentes representações que fazem parte da memória colectiva, um aspecto relevante da sua construção estética.

Mónica de Miranda nasceu no Porto, em 1976. O seu percurso académico inicia-se com uma licenciatura em Artes Plásticas, na Camberwell College of Arts (Londres, 1998). Posteriormente, Mónica realizou um Mestrado em Artes e Educação do Instituto de Educação (Londres, 2001) e, mais tarde, um doutoramento em artes visuais, na Middlesex University (Londres, 2014) enquanto bolseira da Fundação de Ciência e Tecnologia. Actualmente, Mónica de Miranda é artista visual e investigadora de Pós-doutoramento no Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa, onde está a desenvolver um projecto de investigação artística intitulado “pós -arquivo” (2015-2018), no âmbito do grupo de investigação “Dislocating Europe”. Mónica de Miranda foi uma das fundadoras da Rede “Triangle Network”, em Portugal, e coordenou as residências artísticas “360: Ambiente e processo” (2015), “Offline” (2013), “Transitante” (2012) e “Home and Abroad” (2010).  Mónica foi, também, a fundadora do centro de investigação artística Hangar (Lisboa, 2014). A sua obra confronta o pessoal e o autobiográfico, à luz da história e das suas geografias emocionais. No seu trabalho, desenvolve narrativas pós- coloniais que investigam a relação do espaço com a memória e identidade, e analisa a relação entre o documental e o ficcional.

Januário Jano artista visual, nascido em Luanda (Angola), vive e trabalha entre Luanda, Londres e Lisboa. Em 2005 o artista terminou a sua graduação na Universidade Metropolitana de Londres, Inglaterra, e desde então que está envolvido em projectos de pesquisas que têm sido o centro do seu trabalho artística. Januário Jano trabalha principalmente com pintura, instalação, vídeo e fotografia, usando mistura de mídia e material para desenvolver um corpo de trabalho relevante nos rituais do seu trabalho. Em 2016 foi premiado com Art Laguna Prize na categoria Business for Art, um dos mais prestigiado prémios de arte em Veneza, Itália. Em 2015, participou da exposição colectiva, “UNORTODOXO”, no Museu Judaico de Nova Iorque, exposição que teve como curadores Jens Hoffman e Kelly Taxter.  Como um dos mais proeminentes artistas angolanos segundo os críticos de arte, Januário Jano foi em 2013 um dos convidados do Goethe Institut-Angola como artista visitante a participar no projecto “África Em Movimento” em Doual ́Art, na cidade de Douala nos Camarões. Em 2014 esteve envolvido na “Ilha de São Jorge” um projecto da Beyond Entropy com curadoria de Paula de Nascimento e Stefano Rabolli Pansera.

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