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Voto prévio no Senado sobre destituição de Trump parece indicar que, quando for a sério, os republicanos vão votar em massa pela absolvição

Senador do Kentucky, Rand Paul, forçou esta terça-feira um voto sobre a constitucionalidade do julgamento de Donald Trump, ex-Presidente dos Estados Unidos, por incitamento à insurreição de 6 de janeiro no Capitólio

Dos 50 republicanos com assento no Senado, 45 votaram esta terça-feira de tarde contra a continuidade do julgamento ao ex-Presidente Donald Trump, por considerarem inconstitucional que um Presidente que já terminou o seu mandato seja julgado na câmara alta do Congresso. Cinco senadores republicanos juntaram-se aos seus colegas democratas na votação a favor do julgamento, mas como seria preciso convencer no total 17 republicanos a votar pela destituição de Trump, este voto prévio está a ser lido pela maioria dos analistas como uma prova de que não há grande apetite entre os republicanos para condenar Donald Trump por incitamento à insurreição, acusação que surge no seguimento da invasão do Capitólio por vários dos seus apoiantes. Cinco pessoas morreram nos confrontos.

Há vários prismas por onde analisar este voto, todos altamente relaxantes para Donald Trump. Primeiro: o facto de haver cinco republicanos que consideram constitucional este julgamento não é o mesmo que dizer que há agora 55 pessoas (sendo a vice-Presidente, Kamala Harris, o voto de desempate) que querem impugnar Trump – esses cinco senadores republicanos podem, depois de ouvidas as partes e os especialistas, considerar que não foram apresentadas provas conclusivas sobre o alegado envolvimento do ex-Presidente no incitamento daquela violência. Em segundo lugar, mesmo que estas cinco pessoas, por terem indicado esta terça-feira que querem ver Donald Trump responder às acusações, decidam votar ao lado dos democratas, restam ainda 12 republicanos por convencer – dos 17 que seriam precisos para o condenar.

Várias vozes tinham já alertado para o “factor Constituição”. Um dos artigos mais partilhados sobre o tema foi o de um ex-juiz desembargador, no Washington Post, antes de a Câmara dos Representantes ter aprovado os artigos de impeachment. Michael Luttig foi bastante taxativo: “Ainda que a Câmara dos Representantes impugne o Presidente Trump esta semana, o julgamento do Senado sobre essa impugnação não começará antes de Trump deixar o cargo e o Presidente eleito Biden tomar posse a 20 de janeiro. Esse julgamento no Senado seria inconstitucional”. A defesa de Donald Trump começaria quase de certeza por aí e, pelos vistos, o ex-Presidente tem vários republicanos que já deixaram claro que concordam com ele.

Texto: Expresso.pt

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